segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Do Casulo Banguense - Frio


Em janeiro, o calor chega a derreter o asfalto. Em julho, o frio gela as orelhas, encolhe as plantas, abre o céu estrelado e faz descer o farto sereno que umedece a lataria dos carros e dos portões. De manhã, aos casacos e gorros e moletons, vai-se ao trabalho ou à escola acompanhando os rabiscos nos para-brisas e capôs: "Fulano ama Fulana", "Beltrano: julho de 2014", "Preciso ser lavado", "Deus te ama e eu também".

Reinventamos o calor e o frio. Nós, banguenses, somos os beduínos errantes do velho sertão carioca.

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Inverno de 2014.

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