Alícia K. afastou-se dos seus pois não tinha novidades. Contabilizou perdas e ganhos e lamentou seu ônus. Fez maravilhas na cozinha dos fundos, dos fundos de si. Cozinhou seus sonhos, reviu amores, secou vertigens, abriu os braços, expeliu cinismos, previu catarses. Cozinhou amores! Perambulando nas recordações dos beijos que não devia ter dado, mexeu no nariz e estalou os ossos dos dedos. Calou vaidades. Esticou a farsa que sua vida lhe tinha reservado nesses tempos de esconderijos muitos. Subitamente, enervou-se. Tudo ali eram fatias de hipocrisias maduras, lascas de labirintos tolos, sucos de egoísmo alaranjado. Inveja com canela em pó. Calçou seu saltinho, ajeitou os cabelos, tirou as argolas e lavou as verduras. Cozinhou solidão forçada com a água que fervia seu orgulho. Temperou o desjejum com pitadas de catecismo, de yoga, de economia solidária, de voluntariado e de veredas por países modestos. Sentiu-se parte dos seus outra vez. Vomitou o futuro que viu.
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