segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Leve Angústia para Começar o Dia

Ela tem o dom de desaparecer. E eu, desaparecido para tantos, tenho o dom de lamentar. Ainda bem que escrevo, porque meu choro preso e minha rebeldia sentimental não me convidam a esperançar.


Deus meu, são tantas as pessoas que vagueiam por aí e nos apegamos a tão poucas! Mesmo que se queira ser feliz só por um instantinho, vontade singela essa, tem-se o mesmo risco de ser esquecido em três ou quatro soluços da embriaguez mais desencontrada. Desejos sóbrios, quase sempre, são grandes falácias. E a franqueza, esta maldita, uma desgraça!


Nessas madrugadas extensas, ninguém me vê indo embora, ninguém percebe minhas crenças. De andanças sempre longínquas, vou contemplando os rostos que têm sentimentos mais simples que os meus. Que têm segredos maiores que os meus. Que têm os dias mais ásperos e, todavia, menos conturbados que os meus.


São poucas as chances que temos de virar a vida. Mas quem pode encontrá-las? Quem pode, de fato, percebê-las? Coisa estranha e sem clemência essa zona fosca entre a ousadia e a desistência. Eu, andarilho da noite, que tenho comigo mil aventuras, fico de canto, guardando sempre minha lisura. E toda vez que abandono a zona escura, cresce-me no peito o pavor com as desventuras.

1 comentários:

Felipe Brito disse...

E você, sabe quando é hora de "virar a vida"?

 
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