Retiro, um por um, os quadros que me deram, que me fizeram. Os que eu fiz. Todos pendurei. Todos trouxeram aconchego às minhas paredes pálidas, tristonhas. Os quadros e também as fotos deram às paredes do meu quarto, este meu latifúndio de egoísmo oculto, todo o contentamento e brandura que precisei encontrar nos dias mais ríspidos, nas noites mais íntimas e nas crises mais ácidas.
Minhas roupas, minhas lembranças, documentos, meus discos, meus livros... (ahh, meus livros!). Vou guardando e relembrando porque está tudo vivo. É tão boa a sensação de ter muitas lembranças e tão poucas coisas. É tão bela a certeza de que minhas poucas coisas são sinais de muita vida que se desprendeu de mim por aí. Eu tive tanta gente nesses discos, essas músicas me foram tantos sorrisos! Eu vi tantos lugares nesses livros, essas páginas me trouxeram de volta as muitas estradas por que passei! Eu tive tanto sentimento neste quarto que é árdua a tarefa de superá-lo. É dura essa história de trocar de casa. De largar um espaço onde tudo se deu. Num outro lugar meu, penso. Espero que lá também tudo seja eu.
É com uma alegria sofrida que vou empacotando minha vida. Quanta coisa não uso, quantos quilos de apego, quantos fatos carrego! Quanta gente nas minhas gavetas e armários e eu nem percebo. Em três ou quatro caixas eu resolvo a minha mudança. Em quantas mais porei, meu Deus, as esperanças?

7 comentários:
Vais pra onde?
Para mais perto do Centro, em breve.
=)
Te cambiaras de casa?
A donde? =O!
Felicidades!
Besos!
os lugares também mudam a gente. tanto quanto as pessoas.
lindíssimo, Felipe. Espero que a nova casa te inspire ainda mais e te traga tantas outras lembranças e apegos
Tá legalzinho! rsrs**
Brinks. Continua escrevendo muito bem mano.
Há muito não passava por aqui, fiquei surpreso como consegue tirar alguma narrativa boa de fatos aparentemente simples.
Não consigo.
Enfim, hoje voltei a postar no meu (tenho uma razoavel qtd de textos, acho que agora dá pra manter) dá um look lá depois...
Beijos
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