sábado, 24 de julho de 2010

Fins de Tarde em Julho

Então. Vamos ver. Quanta vida já passou! Nem tantos pecados, nem tanto labor. Nem tanto sofrer. Ah, mas se eu soubesse quantos sofrimentos seriam necessários para ter-me em minhas mãos! Ah, mas se eu soubesse! Eu quase nada sei sobre a minha vida que não passou ainda. Eu quase nem sinto o que sei. E nem sinto o que sou.

Ah, mas como se arrasta o fim do mês sete! Mas que dias mornos onde pouco acontece... Eu me faço uma clarineta, uma adaga. Eu me faço nada! Nem uma gaita, nem uma pequena espada. Eu nem sei mentir. Nem sei de mim. Eu sou patético quando recuso os pedidos de quem me quer descobrir.

Eu tenho sobrinhos. Sim, eu os tenho! São pequenos, falantes, descobridores por excelência. Eu sou o máximo quando eles querem divertimentos em tarde vazias! Eu lembro de mim. De tudo que sinto, de tudo que fui. De tudo o que eu me despi. Eu vou a muitos lugares para me descobrir. Eu nem sei mais se é tão importante saber tudo de si.

Quando é tarde, e é julho, eu tenho mania de não me esquecer. Eu me lembro em tudo. Nos trajetos que faço e que fiz, nas pessoas que tenho e naquelas que eu quis. Eu tenho mesmo essa mania de não me esquecer. Por isso, sempre que houver essas tardes antecedendo agosto, eu vou lembrar de tudo o que eu deveria ser. Eu vou lembrar e fazer planos. Eu vou rejuvenescer.

5 comentários:

larissa disse...

“Para atravessar [julho] ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um. Pode ser Natália Lage, Antonio Banderas, Sharon Stone, Robocop, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de [julho], viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques - tudo isso ajuda a atravessar [julho].”

( Pequenas epifanias )

Debora Mzz disse...

"Eu nem sei mais se é tão importante saber tudo de si."

Anônimo disse...

ah, mas se eu soubesse quantos sofrimentos seriam necessários para ter-me em minhas mãos!
Amei tudo!

Anônimo disse...

Início de agosto. Mais uma primavera...
Tenha uma vida abençoada, tudo de melhor pra vc =)

Polliane disse...

Este ficou bonito!
Não é preciso saber tudo de si, só um pouquinho!
hehe
o mistério é o que move.

 
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