Como era bom voltar. As vibrações do retorno eram as mais estimulantes sensações por que passou desde que teve a certeza que venceu, desde que não mais duvidou que estava em vias de um sossego definitivo.
Justamente porque conseguiu tudo o que quis, teve a sensação de que a marcha de sua história cessou. Não via grandes andanças a superar. O horizonte bem diante de seu nariz não o convidava para outras e audaciosas investidas sob o sol. Não era o céu seu guia, nem os mistérios do mundo a motivação para um impulso de rosto limpo frente ao vento forte.
As praças perderam árvores, as ruas agora tinham as calçadas lisas. Muitos carros, pouca gente. O colégio aprisionado atrás de um muro alto, sem o jardim, sem os uniformes de azul-marinho e branco, tão característicos da juventude que perambulava em suas memórias. O armazém não mais vende pão com mortadela e guaraná, nem vende também tardes inteiras de eternidade nos cabelos, de fôlego infinito para engolir aquelas ruas. Não vende e nem empresta mais as primeiras paixões, aquelas ruas, ruas de casas que outrora eram ruas de meninos e moças e cidade pequena. As calçadas estão lisas e cimentadas, meu Deus!
Não a via desde aquele último verão. O encontro era às cinco e ele já não suportava mais a espera. Tinha sua melhor camisa, um presente nas mãos e tremor nos braços e queixo. Não imaginava como seria duro encarar este resgate de si, essa visita simplória ao que jamais deixou de lhe pertencer.
Voltando ao terminal, suado e com frio, não sabia o que fazer com aquele sentimento. Queria beber a água mais gelada de sua vida, queria beber esse passado que o persegue num gole só! Nunca saberá por que ela não foi. Nunca. O jeito é voltar à imagem do horizonte pálido, insosso, como se fosse impossível ter conforto lançando os passos e os olhos para trás, na direção do que se é e do que não se pode deixar de ter.
Justamente porque conseguiu tudo o que quis, teve a sensação de que a marcha de sua história cessou. Não via grandes andanças a superar. O horizonte bem diante de seu nariz não o convidava para outras e audaciosas investidas sob o sol. Não era o céu seu guia, nem os mistérios do mundo a motivação para um impulso de rosto limpo frente ao vento forte.
As praças perderam árvores, as ruas agora tinham as calçadas lisas. Muitos carros, pouca gente. O colégio aprisionado atrás de um muro alto, sem o jardim, sem os uniformes de azul-marinho e branco, tão característicos da juventude que perambulava em suas memórias. O armazém não mais vende pão com mortadela e guaraná, nem vende também tardes inteiras de eternidade nos cabelos, de fôlego infinito para engolir aquelas ruas. Não vende e nem empresta mais as primeiras paixões, aquelas ruas, ruas de casas que outrora eram ruas de meninos e moças e cidade pequena. As calçadas estão lisas e cimentadas, meu Deus!
Não a via desde aquele último verão. O encontro era às cinco e ele já não suportava mais a espera. Tinha sua melhor camisa, um presente nas mãos e tremor nos braços e queixo. Não imaginava como seria duro encarar este resgate de si, essa visita simplória ao que jamais deixou de lhe pertencer.
Voltando ao terminal, suado e com frio, não sabia o que fazer com aquele sentimento. Queria beber a água mais gelada de sua vida, queria beber esse passado que o persegue num gole só! Nunca saberá por que ela não foi. Nunca. O jeito é voltar à imagem do horizonte pálido, insosso, como se fosse impossível ter conforto lançando os passos e os olhos para trás, na direção do que se é e do que não se pode deixar de ter.
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Primeiro texto da Trilogia do Outono.

4 comentários:
"somos muito das sensações que despertamos nas pessoas ... "
;)
Me impressiono em como ainda me impressiono com a arte de combinar as palavras. Dom visível, sensível, esse o seu!
Combinar palavras e despertar sensações, é o que tento mesmo, sempre.
Agradeço os elogios, os explícitos ou não, mas quero dizer que são exagerados, são afagos de pessoas que têm por mim simpatia, e esta é suficiente.
=)
é impressionável esse menino. não só nas palavras. principalmente nas palavras. pois é.
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